Nesta seção, reunimos indicações feitas pelos entrevistados e colaboradores do Cinco em Prosa. A ideia é simples: quando alguém mergulha fundo em um tema, costuma sair de lá com boas referências para compartilhar. Esse espaço é uma curadoria coletiva. É onde especialistas, cronistas, professores, pesquisadores e leitores sugerem caminhos para quem quer explorar mais o universo do jornalismo literário e das crônicas.
Num site que fala sobre crônica e o jornalismo literário, faz sentido abrir espaço para vozes que indicam leituras, autores e obras. É uma forma de expandir o repertório e valorizar a escuta, não só o que se diz, mas o que se deseja propagar.
Monica Martinez
Minha indicação, disparado assim, o mais estudado no mundo que é o Truman Capote. E eu acho que a gente tinha que incluir o professor Mateus Yuri Passos, ele publicou um artigo científico colocando o Visconde de Taunay como precursor do jornalismo literário antes do Euclides da Cunha. O nome é Voices in War Times: Tracing the Roots of Lusophone Literary Journalism.
Luis Henrique Pellanda
A Giovana Madalosso, na Folha de S. Paulo, escreve uma crônica que não é exatamente literária, é uma crônica de opinião, num formato informal, onde ela fala com o público mais feminino. Eu vou indicar também pessoas que considero importantes. Ivan Angelo e Humberto Werneck carregam o fogo do gênero há muito tempo. O Ivan tá com um livro pronto para sair – ele tem 88 anos. O Ivan, o Ignácio de Loyola Brandão, o Humberto – eles ainda escrevem e já passaram dos 80. A gente não pode esquecer que acontece muito de uma geração querer enterrar a outra. Mas é importante lembrar que quem veio antes já entregou o gênero renovado. A Mariana Ianelli, em São Paulo, é uma poeta excelente que também escreve crônicas e publica no site Rubem, que é independente. Tem também o Henrique Frederich, o Anthony Almeida, o Guilherme Tauil, lá no Instituto Moreira Salles. A Cidinha da Silva leva a crônica para esse grande público das periferias e milita através do gênero. Nosso primeiro escritor militante foi o Lima Barreto e a Cidinha é a cronista militante da nossa época. Julian Fuks, no UOL, descobriu a crônica como um caminho de linguagem e debate de ideias, atingiu um público imenso.
Edvaldo Pereira Lima
Para quem tá começando, eu recomendo uma versão mais simples do Páginas Ampliadas, que é o “Jornalismo Literário para Iniciantes”, publicado pela Edusp. Você encontra fácil, é só entrar no site da editora da USP e comprar. Agora, para compreensão técnica mais aprofundada, aí, sim, vale pegar o Páginas Ampliadas, que é a obra mais densa, com mais fundamentos sobre o jornalismo literário.
Se a pessoa quiser entender como aplicar uma metodologia narrativa poderosa que eu trouxe para o jornalismo, aí tem um terceiro livro que eu sempre indico. É o “A Jornada do Herói em Narrativas de Jornalismo Literário”, da Monica Martinez. Esse livro nasceu da tese dela, quando foi minha orientanda na pós-graduação da USP. Ela pegou o modelo clássico da Jornada do Herói, usado no cinema, e adaptou com muita competência para o jornalismo literário. É uma tecnologia narrativa de alta qualidade.
Mas a gente não aprende só na teoria, né? Aprende lendo bons exemplos. Em termos de consistência e regularidade na prática do jornalismo literário nas primeiras décadas do século XXI, ninguém superou a Eliane Brum. Entre homens e mulheres, foi quem melhor praticou. É leitura obrigatória.
Nathallia Protazio
A primeira pessoa que vou indicar é o Bruno de Andrade, do Lume Literatura. Lá não tem só cronistas dando entrevista, mas tem um episódio da gente falando sobre crônica que é bem legal, e vai ter mais. Se for para citar cronista, vamos lá. Evanilton Gonçalves. Ele escreve em Salvador, é soteropolitano. Sai crônica dele domingo, sim, domingo não, no jornal A Tarde. Por que ler Evanilton? Porque ele tem algo que eu não vejo em muita gente. Ele tem poesia, lirismo, uma poética muito ligada às personagens humanas secundárias. Isso é muito Bahia. Ivone Silveira, já coloca. Tem também a Kátia Borges, o Tiago Germano, que é foda demais. O Anthony você já deve colocar por causa da Rubem. A Ana Marson é sensacional. Na minha aula de humor, eu sempre dou dois exemplos: o Veríssimo e a Ana. Ela é incrível.
Henrique Frederich
Puxo um pouco o saco dos cronistas da Rubem. O Cassio Zanatta, por exemplo, está no nível dos clássicos. A gente premiou a Nathallia Protazio com o Prêmio Sabiá pelo livro dela, e ela virou nossa cronista. A Yvonne Miller é alemã, mas escreve crônicas em português, é fascinada por crônica. A Drica Muscat ainda nem tem livro, mas é muito talentosa. Tem o Alexandre Brandão, o Ruben Peixoto. Fora da Rubem, tem o Antônio Prata, que talvez seja o principal nome da crônica hoje. O Luiz Henrique Pellanda, de Curitiba, faz uma das melhores crônicas da atualidade. E tem o Luiz Antonio Simas, que escreve voltado para realidade das tradições culturais e africanas, um cronista excepcional. A Tati Bernardi também, claro, com um público mais jovem.
Roberto Roberto Amazonas
No colégio, história sempre foi minha matéria favorita. Primeiro porque sou adepto de uma boa fofoca, e usava isso para decorar os assuntos. Segundo, porque tive professoras excelentes que sabiam envolver a gente no conteúdo. E também porque eu acredito naquela frase: “não esquecer para não repetir”. Por isso, minha recomendação é o podcast Rádio Novelo Apresenta. Tem episódios excelentes sobre o Golpe de 64 e histórias que você, provavelmente, não ouviu na escola. Um deles é o episódio “Sonia Maria Sampaio Alem”, produzido pelo jornalista Vitor Hugo Brandalise. Todos os episódios sobre a ditadura estão reunidos na playlist “Histórias da Ditadura”, disponível no Spotify e no site da Rádio Novelo.
