Em frente ao totem do McDonald’s, percebi alguns combos de lanche vindo com um pacote de figurinhas da Copa do Mundo. Comentei com o meu amigo que esse ano o álbum e os pacotes estavam caros demais e não pretendia colecionar, apesar de já ter completado outras quatro edições.
— Para conseguir completar o álbum, as pessoas vão gastar quase mil reais, no mínimo.
— Isso é um absurdo!
Encarei o totem de novo e, suspirando, escolhi o combo com o pacote. Paguei e esperei o número do pedido ser chamado, mais ansiosa do que eu queria admitir.
Quando meu pedido foi chamado, peguei o combo, coloquei o lanche na mesa, rasguei o envelope apressadamente e passei as figurinhas animada. Dentre elas, atletas desconhecidos, como um jogador do Japão e um mexicano. Os outros eram mais familiares, como Bradley Barcola, da França, Enzo Fernandez, da atual campeã, Argentina, e o time da Espanha.
Mas a graça nunca foi conhecer todos os jogadores. Ela estava no ritual de comprar os pacotes na banca e me juntar ao meu avô para comentar cada figurinha nova. Comemorávamos como se todos os jogadores fossem craques, mesmo sem saber quem eles eram.
Olhei para as figurinhas na minha mão mais uma vez. Hoje em dia, moro em outro estado e, por conta da distância, temos novas rotinas. Mas quando vi aqueles pequenos papéis, foi impossível não lembrar dele.
Todo sábado de manhã, meu avô me levava para trocar figurinhas em uma banca no centro da cidade. Era ele quem ficava responsável por carregar a lista das que faltavam, conferindo e riscando os números a cada troca.
Nem percebi meu amigo me cutucar e perguntar no que eu estava pensando enquanto olhava para as figurinhas.
Sentada naquela mesa da praça de alimentação, repeti mais uma vez que não iria fazer o álbum da Copa por conta do preço absurdo dos pacotes – R$ 7,00, onde já se viu !?. Enquanto guardava as cinco figurinhas na carteira, porém, percebi que não era só isso.
Eu não sei colecionar figurinhas sozinha.


