Quando a nutricionista me deu a infeliz notícia de que, para fazer valer o plano alimentar que estou (supostamente) seguindo com rigor, eu precisaria iniciar a musculação, decretei meu atestado de óbito. Oh, céus. Fui condenada ao purgatório contemporâneo.
Sempre odiei a ideia de fazer academia. Imaginava um ambiente digno de pesadelo.
Aparelhos que me remetem a métodos de tortura medieval. Exercícios com nomes esquisitos (em inglês, ainda, para dar um tchan). Cheiro de suor misturado com uma quantidade desproporcional de desodorante masculino. Gente exibida, de nariz empinado, fazendo o tal do pump para tirar uma fotinho enquanto amaciam o próprio ego.
Para completar: todos estariam na espreita, ansiosos para que eu – o peixe fora d’água – cometesse um singelo deslize e puft, virasse o centro das atenções.
Enquanto mastigava essa amarga derrota, todas as humilhações possíveis cruzaram minha cabeça. Rasgar a calça enquanto faço uma das vinte possíveis variações de um agachamento. Fazer força demais e soltar um pum sem querer. Me apoiar indevidamente num aparelho que cai e, como um dramático dominó em slow motion, derruba todos os que estão em volta. Deixar um pesinho cair no chão e todo mundo me fuzilar com os olhos. Ficar presa num exercício e, pasmem, pedir ajuda ao instrutor que está sendo pago para me auxiliar. Tropeçar no próprio cadarço e me espatifar no chão (vexame bônus se derrubar outra pessoa junto). Usar o aparelho de alguém que está descansando, me gravarem, eu viralizar no Instagram e acabar cancelada por desrespeito a algum dos mandamentos sagrados da comunidade maromba.
Opa, tem mais. Suar muito e marcar minha axila, embaixo do peito e nas papinhas da bunda. Não suar e parecer que não estou treinando o suficiente. Soltar um grunhido semelhante a um gemido inapropriado e deixar todos atordoados. Ficar quieta e levar uma bronca por estar indiferente demais. Meu short preto ser meio transparente e todo mundo descobrir que sou mulher e uso calcinha. Jesus.
Demorei duas semanas para marcar a bendita aula experimental. Foi numa quinta-feira, às 06h da manhã. Considerei que seria o horário com maiores chances de sobrevivência da minha reputação. Já estava preparada para virar a palhaça deste grande circo. Pagar o mico do século.
Cheguei. Uma hora passou. Não morri. Ninguém riu do meu glúteo subdesenvolvido. Nem um pitaco sobre o meu percentual de gordura estar acima da média. Nem um olhar minimamente torto em direção aos baby hairs que não consigo prender no rabo de cavalo.
Caramba.
Nada. Nadinha mesmo.
Que estranho. Como assim?
Voltei pra casa. Mandei mensagem para o pessoal da academia: “2x na semana. Vou fechar o plano anual”. Afinal, quem precisa de terapia quando se tem leg day?


