A casa da minha vó era grande e colorida, ganhava um visual novo praticamente todo ano, já teve muitas cores. A última foi um rosa clarinho. Acompanhou uma vida inteira, os primeiros passos da minha mãe, as primeiras palavras da minha tia, as muitas brincadeiras entre eu e minha prima. Era o local em que todas as festas de família aconteciam, tinha mesa cheia e aroma de comida temperada com amor.
A casa da minha vó era sempre meio barulhenta, o som alto dos filmes de ação que meu avô assistia com frequência, as discussões infinitas de política entre meu pai e meu tio, as gargalhadas no quarto, onde minha avó reunia o “Clube da Luluzinha” para contar as histórias de sua juventude. A casa da minha vó não era só dela, era um pouco minha também e de todo o resto da família que sempre estava por lá. Era um dos meus lugares favoritos no mundo.
A casa da minha vó, hoje, não tem mais tanto barulho, nem cheiro de comida boa e as risadas diminuíram. A casa já viu muito choro e algumas brigas, a mesa agora não está tão cheia e tem sempre uma cadeira vazia. O “Clube da Luluzinha” não existe mais e as datas festivas são comemoradas em diferentes lugares. As paredes são cinza e há três anos tem a mesma cor. A casa sem a presença da minha vó virou só casa, e me deixou um pouco sem lar.


