Vó, esta é a minha quinta crônica para você. Eu comentei antecipadamente com algumas pessoas o tema que seria este último texto, porém, algo aconteceu no trajeto e eu vim aqui te contar. Eu me apaixonei e este não vai ser o texto de doer que eu havia pensado que seria. Em escritas anteriores eu revisitei momentos com a senhora e citei que as coisas simplesmente aconteciam e eu acredito que se apaixonar seja exatamente a definição disso.
Eu jamais esperei que isso fosse acontecer. Aliás, é engraçado como a gente nunca espera algumas coisas, sejam elas boas ou ruins. Era um dia atípico, vó. Eu fui acompanhar uma simulação de uma reunião da Organização das Nações Unidas em um projeto da Universidade em que eu estudo. Participei da organização e ajudei os estudantes que participavam daquele evento. Foi nesse dia em que tudo simplesmente aconteceu. Ela passou, eu notei. Nos seguimos nas redes sociais. Conversamos muito. Saímos bastante e hoje ela frequenta a nossa casa.
Isso tudo é um resumo bem resumido, pois os detalhes e as perguntas quem faria seria você, vó. O que posso dizer é que certamente você ficaria encantada com os sorrisos que essa imbitubense carrega. Eu digo sorrisos pois ela também consegue fazer isso com o olhar. Mas eu queria falar mais um pouco sobre apaixonar-se.
Certa vez eu ouvi em um programa de rádio o locutor Everton Cunha, popularmente conhecido como Mr. Pi, comentar que ter um filho mudou a vida dele. Ele relata que antes a vida dele era como uma janela com uma espécie de “blur” – borrão – e que isso mudou quando ele se tornou pai. Eu não sou pai, porém, algo me diz que ser pai ou mãe é também se apaixonar. Pela criança, pela vida e por tudo que faz parte desse ecossistema.
Apaixonar-se, além de remover o borrão, é também sobre cores, observação e otimismo. Cores, pois nem mesmo os dias cinzas são cinzas. Observação, pois temos a oportunidade de nos enxergarmos quando estamos com outra pessoa. Já o otimismo talvez seja um exagero, mas a paixão nos permite isso. Arriscar, exagerar e se permitir sentir.
Este não é um texto de despedida, tá bem? Ele foi um jeito que encontrei pra dizer que estou bem, assim como você encontrou, em um sonho, como me mostrar isso também. No fim, acredito que falei sobre amor, saudade e como as coisas têm sido por aqui. Eu nunca soube finalizar os textos, acho que até por isso fiz jornalismo. Uma professora falou que texto jornalístico não tem final, ele apenas termina e ponto. Então, escolho terminar esta crônica com uma frase que você, minha amada avó, costumava dizer nos meus aniversários: “Um beijo, um abraço e um puxão embaixo”.















