Faltam três meses para o casamento da minha irmã mais velha.
O lugar, lista de convidados, vestido, maquiagem, vai estar muito frio?, site dos presentes, pessoas com dificuldades para entender o site dos presentes. Tudo parece ir bem, mas uma coisa não sai da minha cabeça. Ela vai embora e não vamos mais morar juntas.
De certa forma, já estou familiarizada com a despedida e com a distância. Tenho duas outras irmãs que vivem longe, em Minas Gerais. Na última terça, liguei para uma delas e tivemos uma ótima conversa. Desliguei e senti o coração apertar… lembrei como eu a amo.
A partir do dia 16 de agosto, terei meu próprio quarto (ideias do Pinterest vêm aí) e atenção redobrada da mamãe. Minha bagunça organizada não será um problema. Com o passar dos dias tão acelerados e cheios, a ausência dela no lar será aceitável, despercebida, até virar normal. Certamente ao ouvir sua banda favorita ou tomar sorvete pensarei nela, porém não com aquele sentimento que dói.
Mas aí, quando ela for almoçar em casa num domingo, me provocando como de costume, reclamando que o marido deixou a toalha na cama de novo e querendo dar ordens — como todo bom irmão mais velho faz —, vou sentir o peso de sua ausência.
O que causa a saudade em mim nunca é a falta. É a presença.


