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Tiros na saída

Uma pessoa morreu, mas como era um criminoso, então estava tudo bem. Era um tiroteio em frente à escola, mas como o bairro era perigoso, então não havia surpresa. 

No finalzinho da manhã, após o barulho estridente do sinal de saída, eu e os demais alunos ficamos presos dentro das salas de aula. A confusão chegava a ser palpável. Uma menina do meu lado chorava, desesperada. Já outro colega tratava como contratempo inoportuno.

– O que está acontecendo? – perguntei.

– Tiroteio. Tão atirando dentro da escola. 

– Quem?

– Ninguém sabe.

Momentos depois, todos fomos liberados. O que aconteceu foi um confronto entre a polícia e possíveis traficantes, um deles, como forma de escapar, pulou o muro do colégio e os policiais foram atrás. As pessoas contavam como se fosse algo trivial.

Peguei o ônibus em frente à escola, aliviada por sair viva. Não era a primeira vez que a violência atravessava aqueles portões, mas nunca passou pela minha cabeça que ia presenciar esse cenário. Não imaginei que as pichações de CV – Comando Vermelho, nas casas ao redor fossem algo mais que duas letras nas paredes.

Até pensei que a direção fosse cancelar as aulas do turno da tarde, mas não. Afinal, uma pessoa morreu, mas como era um criminoso, então estava tudo bem. Era um tiroteio em frente à escola, mas como o bairro era perigoso, então não havia surpresa. 

Eliza

Eliza Freire

elizafreirejor@gmail.com
26.1

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