Minhas amigas dizem que eu sou de me apaixonar fácil, talvez eu seja mesmo. Dessa vez, porém, não tinha paixão. Tinha atração, tinha diversão, tinha ansiedade, mas paixão não tinha. Por isso que dentre os homens de Floripa, decidi falar desse. Numa manhã de sábado qualquer recebi pelo direct do Instagram: “Oi, gatinho. Como você tá?”. Parei por alguns segundos. A mensagem era do menino que eu já havia beijado, nada além disso. Nunca tínhamos conversado, era tudo muito físico e só. Naquele dia, um convite. “A gente falou sobre isso ontem e eu pensei que realmente poderíamos sair juntos”. Meu coração parou e, de pronto, respondi que seria uma ótima ideia. Afinal, o que poderia dar errado?
A semana que antecedeu ao nosso encontro ou, na linguagem jovem, o “date”, foi desesperadora. Segunda-feira foi dia de compartilhar a informação com as minhas amigas… “Ai, amigo. Eu não acho boa ideia você sair com ele” , disse Aléxia, sem pestanejar. Manuella foi mais esperançosa: “Acho que não tem problema, não. É só um date”. Na terça-feira não teve jeito, eu continuava a pensar e falar sobre isso a quase todo momento. Estávamos na tentativa de decidir onde iríamos. “Gatus Rock Bar é uma boa opção. Tem a melhor caipirinha de maracujá do Centro Leste”. O bar tem sido meu favorito nos últimos meses e talvez tenha sido arriscado querer levá-lo no local onde sempre estou. Vai que ele também se apaixone, não por mim, mas pelo bar – como eu disse, nessa história não há paixão. Na quarta-feira comprei uma blusa: “Essa vai ficar perfeita com uma calça que eu tenho para usar no sábado quando for sair com ele”. Nesse dia fui engolido por vários pensamentos e criei alguns cenários na cabeça. Pensei em que roupa ele usaria, arrisquei que seria camisa de algum time de futebol. Pensei sobre o tipo de conversa que a gente teria. Era 8 ou 80: a gente ia se gostar muito ou se odiar.
Na quinta-feira, fui ao Gatus Rock Bar comemorar o aniversário da Ana Beatriz. Lá pelas tantas decidi que era hora de tomar mais um “pancadão”, a bebida promocional da noite. O pior é que eu já havia tomado alguns “pancadões”. Na fila do bar, senti a necessidade de dizer para a dona que no sábado estaria novamente ali.
– Eu amo o Gatus. Sábado eu venho aqui e vou trazer o rapaz que pode ser o homem da minha vida.
Ela deu risada:
– A gente fica feliz de ver vocês vivendo seus amores por aqui.
Sexta-feira chegou. Ufa! Contei os segundos para aquele dia passar mais rápido. E, pela primeira vez em semanas, decidi que não ia fazer nada demais.. Optei por preservar a minha integridade para o dia seguinte. “Gatus Rock Bar no sábado, 19h30?” – era o texto da minha última mensagem para ele, sexta à noite.
Finalmente sábado! O momento que eu tanto esperei e o acontecimento que seria pauta da semana seguinte entre nosso grupo. Durante a manhã, decidi que era hora de botar em dia os trabalhos da faculdade. Assim fiz. Escrevi tentativas de crônicas, almocei no RU, tomei um sol, voltei para os trabalhos. As horas iam passando e nada da confirmação do date, mas estava tentando não ficar aflito. “Homem é assim mesmo, devagar. Sempre confirma em cima da hora”, foi o que me disse Ana Beatriz. Ela estava certa. Eu sou homem e sempre confirmo “em cima do laço”. Separei a roupa nova que ia usar e decidi quais acessórios estariam na composição do look. Pensei em nada muito espalhafatoso para não destoar dele com a camisa do Avaí. No sábado , a bebida da noite era caipirinha de maracujá e eu tinha certeza que falaríamos sobre o placar do jogo, sobre como é fazer jornalismo, sobre os caminhos que nos levaram até aquele momento após tantos beijos durante o ano. Mas a vida é feita de incertezas.
Um pouco antes das 17h recebo um “Oii, é que acabou rolando um imprevisto. Não vou ter como sair hoje”. Fico no aguardo que ele continue e fale o motivo de desmarcar tão em cima, mas nada vem. Apenas um pedido de desculpas. A minha roupa nova não foi usada. A caipirinha não foi tomada. Ele não ia com a blusa do time do coração. Mas se engana quem pensa que naquela semana eu não tive um encontro. Ele não apareceu, mas ela, sim.
Tive um date com a ansiedade.
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