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A casa caída

Eu tenho uma casa de estimação. Ou melhor, tinha: a casa caiu. 

Na esquina da rua onde moro, uma charmosa residência térrea com paredes cor-de-rosa encantava quem passava por ali. Perdi a conta de quantas vezes falaram que ela parecia uma casa de boneca. Ela ficava bem no centro do terreno, com lindos adornos de gesso nas bordas do telhado, e era separada da rua por um caminho cuidadosamente calçado. A casa era rodeada por um florido jardim e muros tão baixos que o tornavam praticamente decorativos.  Tudo isso fazia aquele lugar parecer muito convidativo.

Quase toda manhã, um dos moradores da casa se sentava no banquinho do quintal para observar atentamente o movimento da rua. Na maioria das vezes, o meu “bom dia!” era respondido com um aceno de cabeça muito tranquilo, acompanhado de um tímido sorriso de canto de rosto. Quando passávamos por ali ao entardecer, quem nos cumprimentava eram as cheirosas damas-da-noite, um cheiro que até hoje me faz pensar em “lar”. Aquela casa era um pouco minha, também.

Segundo a minha vó, a casa cor-de-rosa está há mais tempo na nossa rua do que o asfalto. Sua delicadeza resistiu à construção de grandes prédios no seu entorno, às idas e vindas dos comércios que, em algum momento, não conseguiam mais sustentar o valor do aluguel. Em especial, as tantas farmácias passageiras que apareceram ali por perto. Ela presenciou, também, muitas mortes. E só não resistiu a uma delas.

Dona Adélia morava na casa, e em um de seus aniversários, minha avó a presenteou com uma flor. Achei engraçada a ideia desse presente para alguém que cultivava dezenas de plantas diferentes em seu quintal. Ela o recebeu como quem ganhara uma enorme riqueza, e dividiu algumas palavras bondosas com minha vó. Ali pensei que gostaria muito de conhecer aquela senhora e sua casa. 

Mas a realidade nem sempre respeita nossos planos. Em um dia qualquer, uma placa agressiva e indelicada de “vende-se” foi fincada no terreno, amargurando meu ritual diário de passagem pela casa. O terreno estava sendo oferecido por R$8 milhões, nos disseram.

O motivo da venda só foi informado depois. Dona Adélia morreu sem que eu pudesse ouvir o que ela tinha a dizer sobre nosso bairro e sua vida. Sua casa foi demolida antes mesmo de nós, os vizinhos, sabermos a causa de seu falecimento. Jamais imaginei que a casa que existia desde antes de eu nascer poderia deixar de existir. Muito menos que sua história, seus jardins floridos e as memórias de Dona Adélia seriam trocados pelo que mais tarde descobri ser uma briga da família.

Um dia, minha mãe foi sanar a curiosidade coletiva e perguntou aos vizinhos o que seria construído no lugar.

– Uma farmácia.

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Isadora Dymow

"isadoradymow@gmail.com"
25.1
45

Início de mês

Era início de mês, o salário tinha acabado de cair na conta e eu estava no cinema, esperando para comprar um ingresso, quando notei uma movimentação. A mulher que aparentava ser mãe, e estava acompanhada de uma menina, que devia ter uns 11 anos, abordava pessoa por pessoa naquele espaço. Ela perguntava algo e recebia sinais negativos. Como a fila não andava, consegui acompanhar as abordagens por tempo suficiente até chegar em mim:

– Oi, tudo bem, querida? Você passaria o cartão pra eu e minha filha assistirmos o filme do Stitch? – ela disse (bem) rápido – Eu te faço o pix agora mesmo. Viemos só para assistir o filme, mas eu esqueci o cartão em outra bolsa. 

A filha parecia envergonhada. Ela colocava a mão na cabeça, se escondia atrás da touca de cachorrinho e falava: “não acredito que a gente esqueceu o cartão, mamãe”. A mulher sorria sem graça e repetia: “é, deixamos na outra bolsa”.

– Claro. Imagina, passo sim. – respondi.

Caminhamos até o caixa juntas. Eu pagava com o cartão, enquanto ela me passava o valor pelo pix e a menina continuava a repetir de maneira envergonhada: “não acredito que esquecemos, mamãe”. 

Assim que a máquina terminou de imprimir os ingressos, ela os pegou e entregou à filha, que sorriu pela primeira vez dentro da nossa rápida  interação.

– Obrigado, viu? É que o cartão não virou ainda e eu só tinha dinheiro no pix. Sabe como é, início de mês é quando eu tenho mais condições de trazer ela ao cinema. 

Eu só concordei e desejei bom filme, não perguntei seu nome, nem o da filha. Quando me sentei sozinha na sala de cinema, dei-me conta do que queria ter dito: “Eu entendo. Minha mãe também só conseguia me levar ao cinema no início do mês”.

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Luiza Feppe

luizafepe23@gmail.com
25.1
41

R$1,50

Chovia muito, já passava das 6 da tarde e eu peguei o ônibus para mais um compromisso. Estava cansada, sem muita paciência, e tudo o que eu queria naquele frio era estar em casa, debaixo das cobertas assistindo a um filme. Depois de um tempo de viagem, um rapaz entrou no ônibus e começou a falar com os passageiros. 

– Boa tarde! 

Poucas pessoas responderam.

– Vamos começar de novo. Boa tarde! 

Não mudou muita coisa, continuava sem respostas expressivas. Eu até o cumprimentei baixinho, mas não fez diferença. Ele não desistiu. 

– Boa tarde, pessoal! 

Olhei para trás, quase todo mundo de fone de ouvido ou mexendo no celular. Muitos nem tinham percebido a presença dele. Eu até tentei prestar atenção, mas estava poucas ideias para interações naquele dia. 

O moço, então, se apresentou como poeta, distribuiu um pequeno papel com uma poesia autoral e começou a declamar. Acompanhei na folha e, ao final, ele passou um potinho para contribuições espontâneas. Ninguém contribuiu. Eu sequer tinha meu tempo para oferecer, quem dirá uma moeda. 

Ele passou novamente ao meu lado e pediu para segui-lo no Instagram. Disse que iria seguir e desejei boa sorte. 

Pelo vidro da janela, vi que o rapaz sentou em um cantinho e lá ficou, com a cabeça baixa. A culpa veio, e pensei que deveria ter sido mais atenciosa. 

Na semana seguinte, peguei a mesma linha e lá estava o moço, conversando com os passageiros. O ônibus estava lotado e, de novo, ele não recebeu muita atenção. 

Eu tinha duas moedas no bolso. Quando passou o potinho, coloquei-as lá. Duas ou três pessoas contribuíram e ele aparentava estar mais contente do que da outra vez. 

Eu também fiquei mais tranquila, pensando que agora, sim, havia sido solidária. Mas, na verdade, toda essa generosidade foi comprada por R$1,50. 

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Érica Zucchi

ericamariazucchi@gmail.com
25.1
43

Ônibus lotado

Estava, com outros cinco amigos, bebendo cerveja e jogando conversa fora no bar do Silvinho, que fica no começo do Morro da Cruz. O lugar é do lado das emissoras em que trabalhamos e, ao invés de voltar para a casa direto,  encontrei os guris às 22h15, um pouco depois do fim do meu turno.

Quando bateu meia noite, um deles lembrou que o último ônibus Volta ao Morro passava dali  a 15 minutos. Aquela condução é a que pegamos diariamente para voltarmos para a região da UFSC, onde a maioria de nós moramos. Descemos o morro correndo e rindo da situação. Chegamos no ponto junto do ônibus e, ao contrário da nossa expectativa, estava cheio.Tive que sentar a duas cadeiras de distância dos meus amigos, já que não havia espaço mais próximo. 

A gente começou a conversar e a falar besteira, enquanto eu observava as pessoas na condução. Um menino de boné, que estava na minha frente, observava pela a janela como se tentasse evitar encarar o resto das pessoas ao seu redor. Uma menina de fone, mais para a frente, olhava para baixo, aparentando estar muito cansada. Enquanto isso, dois rapazes conversavam fazendo o mínimo de barulho.

Nesse tempo, meus amigos estavam no fundo do ônibus causando o caos. A contradição entre a emoção deles e a falta de contato do resto das pessoas era cômica, mas eu acho que se não fosse amigo deles talvez estivesse um pouco incomodado.

Fui me dando conta: quando  pego aquele ônibus todo dia me comporto igual ao resto das pessoas, seco, vazio, sem cumprimento, sem ideias e sem relações. Mas, com eles, eu me expressava, me comportando como eu sou. As pessoas com as quais  divido o espaço no transporte público todos os dias são as mesmas, mesmo assim, não sei nada sobre elas. Seus nomes, suas ideias e nem porquê pegam aquele ônibus. Ao invés disso, assim como elas, tento evitar o contato de um jeito ridículo, já que temos de sentar juntos ou  permanecemos em pé muito próximos uns dos outros.

Talvez se no dia a dia eu me comportasse como se estivesse numa mesa de bar, brincando e contradizendo todo mundo, mostrando interesse pelas histórias, a vida fosse  mais leve. Talvez.

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João Francisco Ribeiro

joaofrancisco.rir@gmail.com
25.1
48

Descascando batatas

Aconteceu num dia comum. Entre uma pausa e outra, abri o Floripa Mil Grau e dei de cara com um vídeo difícil de ignorar: pessoas em situação de rua sendo agredidas por policiais, em plena “Ilha da Magia”.

O vídeo já era revoltante. Mas os comentários o tornaram ainda pior. Reviraram o meu estômago. 

“Isso mesmo! Criminosos a gente tem que queimar vivo.”

Corri pro meu Instagram falso e comecei a responder. Um por um. Não sei se adiantou. Fiquei um pouco menos engasgada.

No dia seguinte, mais um vídeo. Mais uma pessoa em situação de rua apanhando, em Florianópolis. Viralizou.

Abri o fake de novo. O primeiro comentário dizia:

“Deveriam estar afastados da sociedade, em uma fazenda cheia de amor. Presos a uns 300 km daqui, pra aprenderem a se comportar que nem gente.”

Bloqueei o celular. Ainda não aprendi que é melhor não ler os comentários.

Era sábado. Dia de visitar minha mãe. Ia ter churrasco.

Tomei banho, me arrumei, apressei meu colega de apê. No mercado, compramos pão de alho e batata. Antes do caixa, pegamos flores pra ela.

Chegando lá, minha mãe está ocupada, ansiosa com a salada de batata, ou maionese, como chamam aqui no Sul. Vou ajudar. Noto que ela descasca as batatas de um jeito estranho, meio exagerado.

— Ô mãe, tu tira quase metade da batata quando descasca, né?

— Ah, filha, não sei fazer diferente. Aprendi com a tua avó e nunca mudei.

— Mas por que ela fazia assim?

— Acho que foi costume. Quando a gente morava na rua, comia resto de mercado. Ela cortava bem para tirar qualquer parte estragada.

— E tu tinha quantos anos?

— Uns cinco.

Ficamos em silêncio por um instante, mas logo voltamos à conversa. Fofocas, risadas, a lida na cozinha segue. As batatas ficaram prontas, nos sentamos. O almoço era simples, gostoso, cheio de barulho e cheiro bom.

Ao dar a primeira garfada, senti  um alívio. Era a melhor maionese que já tinha comido.
Por sorte, ainda tenho estômago.

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Vitórya Navegantes

vitorya.jornalismo@outlook.com
25.1
42

O melão

Entrei pela porta dianteira do ônibus, passei meu cartão, girei a catraca e
sentei em uma poltrona ao lado da janela. Os dias na ilha são tão quentes que
ardem a pele, e tem momentos que os passageiros chegam a ficar com febre. Sou preparada e levo um leque na bolsa para me abanar durante o trajeto inteiro.


Naquela manhã, sentou ao meu lado uma senhora de um metro e meio de altura,
cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo, regata e calça legging até o
joelho. Ela me ofereceu um sorriso, coisa rara no transporte público. Percebi que reparou em mim, especificamente no meu leque, e certamente no meu estado,

suada e vermelha.

– Tá muito calor, né?

Faço que sim com a cabeça, o espaço abafado do ônibus me deixa com
preguiça de conversar.

– Sabe o que é bom pro calor?

Taí, a senhorinha bacana vai me passar um conhecimento milenar, desses
que se passa de vó para neta. Diga-me, então – penso – o que amenizaria o
sentimento inevitável do desespero frente ao aquecimento global.

– Melão! Sabia que o melão é a fruta da mulher?
Não, eu não sabia, nunca tinha ouvido falar.

– Eu comi muito melão quando era novinha, e, agora, minha temperatura tá
ambiente, não sinto calor!

Tento acreditar na senhora, espero que seja verdade. Ficamos em silêncio de
novo, mas ela não para de reparar em mim.

– Você é ansiosa?

Fico assustada no assento do ônibus, não sei porque me tornei tão
interessante pra ela. Lembrei que os passageiros também ouviam aquela conversa,
e não soube como responder. Mexi a cabeça sem jeito, ela entendeu como um sim.

– Quantos anos você tem? Deve ter uns vinte, né? Você é muito nova pra ter
ansiedade – fico ainda mais encabulada, ela acertou minha idade e ainda me
repreendeu.

– Sabe o que é bom pra ansiedade? Passar argila natural nas palmas das
mãos antes de dormir, e, às vezes, até nos pés.

Tenho agora as soluções dos dois maiores problemas do século XXI, a
ansiedade e o calor. Digo que estou surpresa, não sabia de tudo isso.

– É que eu gosto de ajudar as pessoas como posso, sabe? Eu gosto de
ensinar o que sei – agradeço e voltamos ao silêncio. Ela dorme na poltrona, mas
preciso acordá-la para ir embora. Ela me dá tchau, e diz pra eu lembrar do que ouvi.
Chego no trabalho e anoto na agenda: essa semana preciso fazer mercado.

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Iara Rocha

rochaiararegina@gmail.com
25.1
47

Quarta-feira, 20h30

“Esse time não presta pra nada, só me tira do sério!”, grito, em direção à TV.

Meu colega de apartamento vem correndo até a sala e pergunta o que está acontecendo.

 — Mais um jogo do Paysandu, né?
— Não sei por que tu ainda perde tempo com esse time, tu sempre te estressa.

O Paysandu perde mais um gol e fico ainda mais angustiada. Meus olhos continuam fixos na tela, mas minha mente escapa. Dissocio e volto no tempo. Recordo a primeira camisa que ganhei do time, aos cinco anos, e de como o falecido tio Zeca influenciou o meu pai a não torcer pelo rival. Lembro do primeiro jogo que fui, e do som da torcida me fazendo vibrar como os vidros da minha casa, tremendo ao lado do estádio em dia de clássico.

Nos minutos finais, quando a esperança parecia enterrada, meus pais me puxavam num abraço apertado, enquanto víamos o Paysandu virar o jogo no apagar das luzes. 

Minha mãe sempre gritava “Papão!” quando os fogos de artifício explodiam no céu, em comemoração.

Eu e meu pai estávamos no aeroporto de Belém. Depois do último abraço que daríamos em anos, ele me entregou uma sacola preta e pediu para abri-la só no avião. Meu coração não aguentava de ansiedade e, após afivelar o cinto, abri o pacote.

Era uma camisa do Paysandu.

Silêncio na sala. A TV segue gritando gols do adversário.

— Ai, Roberto, eu gosto de me estressar mesmo. Paciência. Tem coisa que a gente ama, mesmo quando dói.

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Vitórya Navegantes

vitorya.jornalismo@outlook.com
25.1
46

Indesejada

Era um sábado à noite. Eu tinha decidido não sair naquele dia, estava sem dinheiro e queria aproveitar para ficar sozinha depois de muito tempo. Ver um filme, comer pipoca e tomar um chocolate quente aproveitando a chuva, mesmo com o termômetro não baixando menos de 20ºC.

Mas ela não bateu na porta. Não mandou nenhuma mensagem. Ou, como sempre, nem avisou que chegaria. Mas quando achei que passaria uma noite sozinha, me vi acompanhada por alguém – ou algo – incômodo.

Eu já devia estar acostumada com a sua presença, ela tem sido a minha companhia nos últimos dias. Já apareceu em diferentes momentos, chegou em uma piada, quando, andando na rua, vi um restaurante novo que queria provar, e até mesmo em uma fofoca, que quis compartilhar, ou um vídeo nas redes sociais que queria enviar.

Naquela noite, acho que foi o perfume na almofada do meu sofá. Ou minha comida conforto talvez a tenha convidado. Ou o filme que escolhi. Nunca saberei. Até porque o convite não tinha sido feito por mim. Mas ela chegou como quem mora ali, mesmo quando achei que já tínhamos terminado. Antes era alguém que era comum estar por perto, hoje era uma visita indesejada.

Ela ficou ali comigo, enquanto o filme rodava e a pipoca esfriava. Em algum momento, percebi que não estava mais lutando contra sua presença. Deixei que se sentasse ao meu lado. A verdade é que talvez eu fosse meio ridícula por sentir tanto por alguém que já nem faz parte do meu roteiro, e, ainda assim, estar presa em cenas que repito mentalmente como se pudesse mudar o final.

Na tela, a protagonista também encarava o fim. Chorava, ria, tropeçava nas próprias memórias e, no final, encontrava algo dela mesma no meio do caos. Me vi ali, sozinha e acompanhada, um clichê ambulante de comédia romântica. Em algum momento, me peguei rindo sozinha. Era bobo, eu sei. Mas acho que esse é o primeiro passo: rir. Mesmo que seja do próprio drama.

Talvez a saudade seja isso: um lembrete cruel de que algo foi especial. Talvez a saudade não vá embora hoje. Nem amanhã. Mas, ao menos agora, quando ela bater na porta, ou entrar sem ser convidada, eu já não vou estranhar. Só vou deixar que fique o tempo que precisar.

Apaguei a luz, guardei a xícara, fui dormir. A visita ainda estava por perto. Mas, pela primeira vez, não me senti mal por isso.

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Amanda Kovalczykovski

amanda.kovalczykovski@gmail.com
25.1